VÍDEO: Venda ilegal de canetas emagrecedoras é flagrada no Centro de Porto Alegre

  • 26/01/2026
(Foto: Reprodução)
Venda ilegal de canetas emagrecedoras é flagrada no Centro de Porto Alegre Ampolas de Tirzepatida proibidas pela Anvisa são vendidas livremente no POP Center, no Centro de Porto Alegre. Durante um dia de apuração, a reportagem da RBS TV encontrou oferta aberta do produto, detalhamento de uso, promessa de entrega imediata e valores que chegam a R$ 1,69 mil. 📲 Acesse o canal do g1 RS no WhatsApp Antes mesmo de entrar no shopping popular, um homem abordou a reportagem perguntando se buscavam "algo especial". Ao ouvir o interesse por "canetinhas para emagrecer", ele questionou: "é repórter? É polícia?", o que foi negado. Em seguida, o vendedor afirmou que teria como providenciar as ampolas da marca TG, fabricada no Paraguai. Segundo ele, uma caixa com quatro unidades custaria cerca de R$ 1,1 mil, com entrega no mesmo dia, vinda da Zona Sul da capital. O Pop Center informa que não tinha conhecimento da situação relatada na reportagem. O centro popular acrescenta que, caso a denúncia venha a ser confirmada oficialmente pelas autoridades competentes, o lojista que tiver seu envolvimento comprovado terá seu negócio automaticamente interditado ou fechado, conforme previsto em contrato e no regulamento interno. Leia abaixo a íntegra A Prefeitura sustenta que "instensificou as ações de fiscalização para coibir a venda ilegal de medicamentos, especialmente as chamadas 'canetas emagrecedoras', no interior e no entorno do Pop Center". Comércio irregular: instruções de uso e promessa de resultados No interior do centro popular, entre bancas de acessórios e brinquedos, a reportagem consegue contato com outros dois homens que garantem que as ampolas da TG “são milagrosas”. Um deles dá dicas, orienta sobre a compra de seringas e explica o passo a passo completo sobre como utilizar o produto. "Ela [ampola] é tratamento de um mês e emagrece 10 quilos. Posso fazer a R$ 700 'pila' para te ajudar. Emagrece 10 quilos. Quer pegar meu whats? Me manda ali que te digo como usa certinho", comentou. O jovem afirma que as ampolas vêm de Canoas e que chegariam no mesmo dia para quem quisesse comprar. "Vem na hora. Qualquer coisa entrego na porta da tua casa, é confirmado, com garantia, sem erro nenhum", se comprometeu. Esse diálogo aconteceu pouco depois das 10h da manhã da quarta-feira (21). As 12h21 ele responde, por meio de mensagens de texto: "tá, vou pegar para você. Mas é certo 'pq' ele tem que fica no gelo”. Cerca de 20 minutos depois ele diz: "quando quiser pode vim tá 'cmg' já". Venda ilegal de 'canetinhas para emagrecer' em Porto Alegre Arquivo pessoal No mesmo dia, ele descreve sobre a utilização e reafirma que não precisa de receita para a compra, é necessário apenas comprar uma seringa na farmácia. "É por ml (miligramas). São 5ml, vem 15 (ml). É por semana. Daí vai conforme o procedimento do remédio mesmo. Tem gente que é muito gordinho que injeta tudo de uma vez só, vai na manha", envia. Outra oferta partiu de uma mulher de Três Coroas, na Região Metropolitana de Porto Alegre, que comercializava a mesma ampola TG por ligação telefônica. Ela afirmou que o produto seria "mais econômico": "Se tu usar 5mg, vai te durar mais ou menos três meses. Na primeira semana, o ideal é que se fracione, de 2,5mg, para o teu corpo se acostumar com a molécula, para não ter efeitos colaterais” , argumentou. A vendedora sugeriu aumentar a quantidade caso não houvesse perda de peso. A aplicação, segundo ela, deveria ser feita no abdômen, próximo ao umbigo. A caixa com quatro unidades era ofertada por R$ 1,69 mil, com pagamento apenas em dinheiro. Especialistas alertam para riscos graves O presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia – Regional São Paulo, Felipe Henning, declara que quem compra medicamentos sem uma procedência adequada está correndo diversos riscos. Segundo ele, produtos falsificados podem não conter qualquer substância ativa, mas mesmo quando apresentam ingredientes farmacológicos, podem provocar efeitos colaterais graves, já que não passam por controle de qualidade. "O indivíduo fica extremamente vulnerável a ter problemas sérios de saúde, uma vez que ele opte por comprar algo contrabandeado, potencialmente falsificado, sem controle nenhum de procedência", afirma. Canetas emagrecedoras devem ser aplicadas com indicação médica Reprodução / TV TEM Venda pode ter pena maior que a por tráfico A delegada da Delegacia do Consumidor e Saúde Pública da Polícia Civil do Rio Grande do Sul, Milena Simioli, esclarece que quem compra um medicamento que não teve análise por um órgão regulamentador não comete crime, mas coloca sua saúde em risco e a de outras pessoas. No entanto, quem comercializa pode responder por crime cuja pena é superior à do tráfico de drogas. "Quando o medicamento apenas não tem o selo da Anvisa, ou seja, é de fato Tirzepatida, a pessoa responde pelo artigo 273, que é um crime contra a saúde pública, mas com uma pena mais reduzida, de 1 a 3 anos de reclusão. Contudo, se esse medicamento não se trata da substância que ele vende pode ser um medicamento falsificado ou de alguma forma adulterado, se responde pelo crime também contra a saúde pública, mas a pena é de 10 a 15 anos", explica Milena. A Polícia Civil afirma que tem recebido denúncias e conduz investigações sobre o comércio clandestino. A delegada reforça que o registro dessas ocorrências é fundamental. "É muito melhor realizar a denúncia, assim a Polícia Civil consegue fazer o trabalho investigativo e verificar se de fato se trata de medicamento falsificado, medicamento verdadeiro”, conclui. O Fantástico foi até o Paraguai mostrar a febre das canetas emagrecedoras proibidas, mas mesmo assim vendidas em Ciudad Del Este e no Brasil. Nota do Pop Center "O Pop Center informa que não tinha conhecimento prévio da situação relatada na reportagem. Ressalta, ainda, que o empreendimento não possui poder de polícia, razão pela qual atua sempre em cooperação com os órgãos competentes, aguardando a comprovação formal de eventual irregularidade ou crime para a adoção das medidas administrativas cabíveis. Caso a denúncia mencionada venha a ser confirmada oficialmente pelas autoridades competentes, o lojista que tiver seu envolvimento comprovado terá sua loja automaticamente interditada ou fechada, conforme previsto em contrato e no regulamento interno do Centro Popular de Compras. A administração reforça que não compactua com a comercialização de produtos ilegais ou proibidos por órgãos reguladores, especialmente aqueles que representem riscos à saúde da população. O uso do nome do Pop Center em qualquer apuração ou divulgação pública ocorre exclusivamente mediante comprovação oficial dos fatos, respeitando o devido processo legal. Como parte de seu compromisso permanente com a legalidade, a segurança e a prevenção de irregularidades, o empreendimento realizou recentemente a troca da empresa terceirizada de segurança, fortalecendo os protocolos de fiscalização interna e o monitoramento das atividades comerciais. O Pop Center atua de forma contínua para garantir que suas operações estejam em conformidade com a legislação vigente. Sempre que irregularidades são formalmente constatadas, as medidas administrativas são adotadas de maneira imediata, incluindo advertência, interdição ou fechamento da loja, conforme o caso. Por fim, o Pop Center informa que irá aguardar a denúncia comprovada a fim de coolaborar integralmente com os órgãos competentes, coibindo qualquer prática irregular e assegurar a segurança dos consumidores, lojistas e colaboradores." Nota da prefeitura de Porto Alegre "A Prefeitura de Porto Alegre, por meio da Secretaria Municipal de Segurança (SMSEG), intensificou as ações de fiscalização para coibir a venda ilegal de medicamentos, especialmente as chamadas “canetas emagrecedoras”, no interior e no entorno do Pop Center. As operações têm atuação integrada da Diretoria-Geral de Fiscalização e da Guarda Civil Metropolitana (GCM), com apreensão de produtos e abordagens aos pontos de venda. A administração municipal mantém contato com a Polícia Civil, colaborando com as investigações e adotando as providências cabíveis na esfera criminal. A comercialização de medicamentos sem prescrição médica e fora de farmácias e drogarias é crime e representa risco à saúde pública." 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FONTE: https://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2026/01/26/venda-ilegal-canetas-emagrecedoras-porto-alegre.ghtml


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