'Rodízio de terror': câmera corporal registra áudio de sessão de tortura atribuída a policiais militares em Porto Alegre

  • 28/01/2026
(Foto: Reprodução)
Câmera corporal registra áudio de sessão de tortura atribuída a policiais militares no RS A câmera corporal de um policial da Brigada Militar registrou, em áudio, uma suposta sessão de tortura que teria sido praticada durante uma abordagem na Zona Sul de Porto Alegre. Quatro soldados do 21ª Batalhão da BM se tornaram réus na Justiça Militar por crimes como tortura, invasão de domicílio e cárcere privado. Dois deles estão presos preventivamente no Presídio Policial Militar. Os advogados afirmam que os PMs são inocentes. 📲 Acesse o canal do g1 RS no WhatsApp O caso teria acontecido na madrugada de 1º de agosto de 2025, no bairro Lami. De acordo com a denúncia, os policiais teriam invadido residências sem mandado judicial e submetido ao menos três pessoas a agressões físicas e psicológicas. Em um dos episódios, o Ministério Público descreve o que chamou de “rodízio de terror”, com vítimas sendo torturadas de forma alternada. São réus os policiais Sandro Urubata Acosta, Anderson Azambuja de Souza, Anderson Nascimento da Silva e Nathan Fraga Leon. Todos chegaram a ser presos, mas Nascimento e Leon respondem em liberdade. Nesta quarta-feira (28), às 14h, o Tribunal de Justiça Militar julga o habeas corpus dos dois militares que ainda estão presos. De acordo com o MP, a câmera corporal de um dos policiais estava com a lente intencionalmente obstruída, o que impediu o registro de imagens. Ainda assim, o equipamento continuou gravando o áudio da ação. As gravações, conforme a acusação, captaram sons compatíveis com agressões, sufocamentos com sacola plástica, uso de arma de choque e ameaças graves. O g1 obteve acesso ao vídeo. Durante 23 minutos, um homem clama que a tortura acabe, enquanto é possível ouvir vozes atribuídas aos policiais perguntando repetidamente "onde está a PT", abreviação que se refere a pistola: "Dá só a PT. Senão tu vai sofrer." O homem não responde, apenas pede misericórdia. Outra voz masculina, atribuída a um dos policiais, insiste: "A próxima vai ser na tua mulher, tua 'nega véia'. Vamos ficar até amanhã". Depois, frente a ausência de resposta, um policial teria reafirmado: "Agora é sessão de horrores". Vítima retirada de casa Segundo a denúncia do Ministério Público, a abordagem teria começado com a invasão da residência por policiais militares que estavam em escala de serviço. Sem mandado judicial, conforme o MP, eles teriam arrombado a porta com chutes e o uso de um objeto metálico, durante a madrugada, enquanto o casal e a filha dormiam. Após entrar no imóvel, os policiais teriam ido até o quarto, onde supostamente renderam o homem. Ainda dentro da casa, conforme a acusação, ele teria passado a ser agredido com spray de pimenta e ameaçado para indicar o paradeiro de uma arma de fogo. Diante da ausência de respostas, a vítima teria sido retirada à força da residência. O homem teria sido colocado no porta-malas de uma viatura e levado para outros pontos da Zona Sul da capital. Em um desses locais, de acordo com o MP, ele teria sido submetido a torturas. Depois, os policiais teriam retornado com a vítima à residência, onde novas agressões físicas e psicológicas teriam ocorrido enquanto os militares realizavam buscas por armas, drogas e dinheiro no imóvel. Em seguida, o homem supostamente foi novamente colocado na viatura e levado até uma área de matagal. Nesse local, segundo a denúncia, ele foi torturado com disparos de arma de incapacitação neuromuscular, agressões com pedaços de pau e chutes. Dois tiros de arma de fogo também teriam sido disparados próximos à vítima, como forma de intimidação. Laudos periciais anexados ao processo apontam múltiplas lesões pelo corpo, como equimoses, escoriações e hematomas, compatíveis com as agressões descritas na investigação. Enquanto o homem era levado pelos policiais, a companheira dele permaneceu dentro da residência, supostamente impedida de sair. Conforme o MP, um dos militares teria ficado no local mantendo a mulher em cárcere privado para evitar que ela buscasse ajuda. O MP sustenta que os quatro policiais agiram em conjunto, estavam de serviço no momento dos fatos e cometeram os crimes para aplicar castigo pessoal ou obter informações. Eles respondem por tortura, violação de domicílio e outros crimes previstos na legislação penal e militar. A denúncia foi assinada pela promotora de Justiça Anelise Haertel Grehs. Em contato com o g1, a promotora diz que não ficou claro na investigação da Corregedoria da Brigada Militar o interesse dos policiais sobre uma pistola em específico. Procurada, a Brigada Militar enviou nota à reportagem. Leia a íntegra: "A Brigada Militar informa que, em relação aos fatos ocorridos em meados de julho de 2025, no bairro Restinga, na Capital, a Corregedoria-Geral da instituição, tão logo tomou conhecimento do ocorrido, instaurou Inquérito Policial Militar (IPM) com o objetivo de esclarecer, de forma rigorosa, as circunstâncias e a dinâmica dos fatos. Durante o procedimento investigatório, foram envidados todos os esforços necessários à produção e à coleta de provas testemunhais, documentais, digitais e periciais, visando ao completo esclarecimento dos acontecimentos. Ao término da investigação, quatro Policiais Militares restaram indiciados, sendo os autos encaminhados à Justiça Militar do Estado, a quem compete processar e julgar os militares estaduais. No âmbito administrativo, os policiais encontram-se afastados de todas as funções e estão sendo submetidos a processos administrativos que avaliam sua permanência ou não nos quadros da instituição. Por fim, a Brigada Militar reafirma seu compromisso inabalável com a verdade, a legalidade e o interesse público, destacando que repudia toda e qualquer conduta desproporcional ou atentatória à dignidade da pessoa humana. A instituição permanece firme em sua missão constitucional de proteger vidas, garantir a lei e a ordem, honrando o legado de quase dois séculos de dedicação e sacrifício em favor do bem-estar do povo gaúcho." O que dizem as defesas O advogado Marcio Rosano, que representa os soldados Sandro Urubata Acosta e Anderson Azambuja de Souza, afirma que "a inocência dos acusados já está sendo provada na instrução processual, inclusive, com imagens de vídeo e declarações prestadas em juízo pelas próprias 'vítimas', onde resta claro que na abordagem, não houve qualquer tipo de violência". O advogado Jairo Cutinski, que defende o soldado Anderson Nascimento da Silva, afirma que seu cliente "não teve qualquer contato físico com nenhuma das vítimas, tanto que por força de um habeas corpus está respondendo ao processo em liberdade". Afirmou, ainda, que o processo está próximo das alegações finais e aguarda a decisão da juíza antes de tomar outras providências no processo. O advogado que defende o soldado Nathan Leon, Giliar Pires, afirmou que "seu cliente era apenas o motorista da viatura, ficou majoritariamente cuidando desta em via pública e não participou dos atos descritos na denúncia". Ele também reforçou que "seu cliente, novo de Brigada Militar, não tinha nenhuma ingerência nas decisões e nos desdobramentos da ocorrência, o que ficou comprovado na instrução". Afirmou, ainda, que "a inocência de Nathan restou comprovada desde a investigação, com sua colaboração, o que fez com que logo depois de sua prisão, já fosse posto em liberdade e voltasse a trabalhar normalmente". Fachada do 21° Batalhão de Polícia Militar, em Porto Alegre Divulgação/Brigada Militar VÍDEOS: Tudo sobre o RS

FONTE: https://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2026/01/28/rodizio-de-terror-camera-corporal-registra-audio-de-sessao-de-tortura-atribuida-a-policiais-militares-em-porto-alegre.ghtml


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