PF prende nove suspeitos de torturar bebês, gravar e vender vídeos na internet; dois investigados são do Exército
02/07/2026
(Foto: Reprodução) PF faz operação contra crimes de violência praticados contra crianças e animais
PF/Divulgação
Nove pessoas foram presas pela Polícia Federal (PF) nesta quinta-feira (2) por suspeita de tortura contra crianças e maus-tratos contra animais no RS. De acordo com a investigação, os suspeitos praticavam tortura contra bebês, crianças e animais domésticos, gravavam as situações e vendiam os vídeos na internet.
Uma pessoa foi presa em Candiota, outra em Canoas e sete em Bagé. Entre elas, dois militares. Em nota, o Exército Brasileiro informou que eles prestaram serviço obrigatório e não estavam em atividade no momento dos crimes investigados.
Não houve morte de crianças nem de animais relacionada aos fatos investigados. Os nomes dos presos não foram divulgados.
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"Na verdade, as investigações se iniciaram a partir de um celular de um dos investigados. Existia um propósito financeiro por parte de alguns investigados, que gravavam os vídeos mediante algum tipo de pagamento", explica o delegado Ronaldo Reis, da PF.
Foram cumpridos 12 mandados de busca e apreensão e nove de prisão preventiva nas cidades de Bagé, Candiota e Canoas. As ordens judiciais foram expedidas pela 2ª Vara Criminal da Comarca de Bagé. Os investigados tiveram a prisão preventiva decretada por 30 dias.
As vítimas ainda estão sendo identificadas. Nos casos já localizados, os responsáveis legais não tinham conhecimento das práticas investigadas. A apuração sobre a situação familiar será aprofundada em uma segunda etapa, com oitiva dos familiares e das próprias vítimas.
A investigação apura indícios de episódios reiterados de violência física e psicológica. Segundo a investigação, não há indícios de motivação sexual. As práticas investigadas envolviam sufocamento e asfixia, e os vídeos eram produzidos para comercialização.
No celular de um dos investigados, a Polícia Federal encontrou cerca de 80 vídeos. Entre as vítimas identificadas nas gravações estão dois bebês, uma criança e um adolescente.
Segundo a PF, os atos de violência teriam sido registrados em vídeo e compartilhados por meio de plataformas digitais. As apurações indicam que o conteúdo pode ter sido comercializado com usuários em outros locais do país.
A investigação teve início a partir de um encontro fortuito de provas. Durante outra operação realizada no ano passado, a Polícia Federal apreendeu o celular de um investigado e, na análise do aparelho, encontrou o material que deu origem à nova investigação.
Os investigados teriam desempenhado diferentes funções no esquema, incluindo a produção e o envio do material audiovisual. Eles poderão responder por imposição intencional de sofrimento físico ou mental contra crianças ou adolescentes, maus-tratos a animais e organização criminosa.
O Exército se manifestou em nota. Confira a íntegra:
"Que, na manhã desta quinta-feira (2/7), dois militares do Exército foram presos em Bagé/RS por determinação judicial, no âmbito de inquérito policial conduzido pela Polícia Federal;
Que os militares foram incorporados ao Exército Brasileiro por meio do Serviço Militar Obrigatório e não se encontravam em serviço no momento dos fatos, que teriam ocorrido em contexto estritamente particular, sem qualquer relação com atividades ou dependências militares;
Que a Instituição reitera que prestará toda a colaboração necessária ao andamento das investigações e que, paralelamente ao processo judicial, as Organizações Militares às quais os envolvidos pertencem instaurarão procedimento interno próprio;
Que o Exército Brasileiro pauta sua atuação pelos princípios da legalidade, da disciplina e do respeito à dignidade da pessoa humana, não tolerando desvios de conduta que contrariem esses valores; e
Que novas informações serão divulgadas à medida que os fatos forem apurados, resguardado o sigilo legal do processo em curso."
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