PF investiga lavagem de dinheiro ligada a fraudes em investimentos; Justiça determina bloqueio de R$ 244 milhões
05/02/2026
(Foto: Reprodução) PF cumpre mandados no RN, SP e RS em investigação sobre lavagem de dinheiro ligada a fraudes em investimentos
PF/Divulgação
A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta quinta-feira (5), uma operação para desarticular um núcleo responsável por lavagem de dinheiro ligado a uma organização criminosa investigada por fraudes em investimentos.
Durante a Operação Pleonexia II, foram cumpridos dois mandados de prisão preventiva, 16 mandados de busca e apreensão e o bloqueio de bens e de valores da ordem de R$ 244 milhões. Cerca de 50 veículos foram apreendidos.
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PF e Receita Federal investigam empresa de energia solar que oferecia rendimentos de até 5% por mês para investidores
As medidas foram expedidas pela 14ª Vara Federal da seção Judiciária do Rio Grande do Norte e cumpridas em endereços situados em Natal, São Paulo e São Leopoldo (RS).
A ação desta quinta (5) é um desdobramento da Operação Pleonexia, deflagrada em fevereiro de 2025, que apurou a atuação de uma organização criminosa envolvida na captação de recursos de investidores mediante promessas de rendimentos incompatíveis com o mercado, supostamente vinculadas à produção e comercialização de energia.
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Segundo a PF, o aprofundamento das investigações permitiu a identificação de outros investigados responsáveis por operar e auxiliar na lavagem de dinheiro do grupo.
As apurações indicam que o esquema utilizava estruturas empresariais, negociações e contratos simulados para ocultar o patrimônio ilícito e reinserir os valores no mercado formal, inclusive por meio da aquisição e revenda de bens de alto valor.
Durante o cumprimento dos mandados, foram apreendidos veículos, dispositivos eletrônicos, documentos e anotações, que serão submetidos à análise para aprofundar as investigações, identificar envolvidos e viabilizar o ressarcimento das vítimas.
PF cumpriu mandados no Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul e São Paulo
PRF/Divulgação
Primeira fase
A Operação Pleonexia foi deflagrada em fevereiro de 2025 para investigar uma suposta organização criminosa especializada em crimes contra o sistema financeiro nacional.
A investigação envolvia a empresa Alpha Energy Capital, que possui escritórios em Natal e Barueri e, segundo a Receita, promovia a captação de recursos de investidores sob a promessa de rendimentos muito acima dos praticados no mercado, que seriam supostamente obtidos por meio da comercialização de créditos de energia solar.
O grupo atraía pessoas de diferentes regiões do país e se comprometia a pagar um rendimento mensal entre 4% e 5%, o que seria insustentável e teria fortes indícios de fraude.
Um homem apontado como chefe da organização foi preso na ocasião. Ele já tinha sido condenado por tráfico internacional de drogas.
Segundo a PF, no portfólio dirigido aos potenciais investidores, a empresa divulgava a existência de onze usinas de energia solar, com capacidade de geração de 1.266.720 kWh/mês. No entanto, a investigação revelou a existência de apenas uma usina efetivamente conectada à rede da distribuidora de energia local, que gerou somente 28.325 kWh.
Além disso, segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), a empresa investigada não era titular de nenhum empreendimento de geração de energia regular e não tinha pedido de outorga em tramitação.
Uma pesquisa realizada pelos investigadores na Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) apontou que a empresa não figura no rol de associados da entidade, o que é uma condição para negociar energia elétrica no Ambiente de Contratação Livre, conforme as normas do setor.
Grupo movimentou mais de R$ 151 milhões
Em 2025, a PF apontou que a maior parte dos valores captados pelo grupo era desviada para a aquisição de imóveis, veículos de alto padrão, joias e outros itens de luxo.
O valor movimentado ultrapassava R$ 151 milhões, com recursos de aproximadamente 6.300 pessoas, distribuídas em 732 cidades brasileiras.
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