Como relação entre pais e filhos mantém vivos os rodeios crioulos no RS

  • 24/01/2026
(Foto: Reprodução)
Vidas de rodeio: tradição que une gerações A relação entre pais e filhos é uma das principais características observadas durante os rodeios crioulos no Rio Grande do Sul. Mais do que competições, esses eventos funcionam como espaços de transmissão de valores, costumes e práticas ligadas à vida no campo. O tema foi abordado na primeira reportagem da série “Vidas de Rodeio”, apresentada pelo RBS Notícias, que acompanha famílias para quem o rodeio é também parte da rotina e da identidade cultural gaúcha. No ano passado, o estado registrou mais de mil festas campeiras e rodeios, segundo dados da Secretaria Estadual da Agricultura, o que movimenta também a economia. 📲 Acesse o canal do g1 RS no WhatsApp Em São Francisco de Paula, na Serra Gaúcha, essa tradição começa ainda cedo. Enquanto o produtor rural Fábio Fogaça prepara o caminhão, o filho Otávio encilha os cavalos. Pai e filho seguem juntos para uma fazenda localizada a cerca de dez quilômetros da cidade, onde realizam a lida campeira. Otávio dos Reis, estudante, destaca a importância de manter viva a história construída pelas gerações anteriores da família. "Eu acho muito importante levar adiante o que vem da família. Tem gente que acaba desfazendo tudo o que o avô, o pai e o bisavô construíram com tanto trabalho, aí se quebra o ciclo e termina a história da família. No nosso caso, sempre foi a pecuária", diz Reis. Para o pai Fogaça, o laço mantém sua função prática no campo, ao mesmo tempo em que ganha outro significado nos rodeios. “No campo, o laço é uma ferramenta de trabalho, usada quando há necessidade, como reunir um animal que se afasta do rebanho. Já no rodeio, ele vira competição, treino e técnica, de brete a brete", comenta. Lida campeira no RS Reprodução/ RBS TV A tradição dos rodeios teve início há cerca de 75 anos, em Esmeralda, nos Campos de Cima da Serra, quando grupos de produtores passaram a se reunir para praticar o tiro de laço. Segundo Everaldo Dutra, coordenador da 27ª Região Tradicionalista, os rodeios surgiram de encontros simples e evoluíram ao longo do tempo. "No começo, eram torneios por troféu, feitos no campo aberto, entre vizinhos e entidades. Com o tempo, vieram a organização, a economia e a geração de empregos, e o rodeio crioulo se consolidou como esse espaço que une o campo e a cidade", explica Dutra. Além das provas campeiras, os rodeios também passaram a incorporar apresentações artísticas, como a dança tradicional. Em Guaíba, durante a Festa Campeira e Artística do CTG Gomes Jardim, pais e filhos dividem o protagonismo no tablado. O administrador Charles Alves acompanha o filho Léo em desafios de chula e conta que o interesse pela tradição faz parte da rotina da família: “Lá em casa não tem brinquedo comum na sala. Tem uma lança. O Léo passa o dia inteiro chuleando, gosta muito e pede para assistir aos vídeos", diz. Para Charles, o principal objetivo da participação nos eventos não é a competição, mas a continuidade da cultura. “Não é uma disputa. Eles são amigos e torcem um pelo outro. O mais importante é se divertir e fazer essa gurizada seguir a tradição", pontua. Rodeio no RS Reprodução/ RBS TV VÍDEOS: Tudo sobre o RS

FONTE: https://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/blog/reporter-farroupilha/noticia/2026/01/24/como-relacao-entre-pais-e-filhos-mantem-vivos-os-rodeios-crioulos-no-rs.ghtml


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